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Diversidade: o Oscar e suas indicações nas animações


    Neste último domingo do mês de Abril (25/04/21) rolou o Oscar, a mais prestigiada cerimônia de premiações no mundo da sétima arte, pelo menos em níveis de popularidade. E entre todas as categorias uma das que mais tenho apreço é a de Melhor Animação, ainda que a própria academia não ligue tanto. Para quem me conhece ou já leu algum post do Blog sabe o quanto sou apaixonado pelo mundo das animações, seja filme, desenhos ou animes. Então aguardo ansiosamente pelos nomes dos indicados para começar a assistir.
 

E um dos indicados que mais me chamou a atenção foi Wolfwalkers, antes da indicação eu já tinha um certo interesse mas depois acabou só aumentando. Porém, antes de assistir acabei descobrindo que o filme faz parte de uma trilogia não oficial do estúdio irlandês Cartoon Saloon, e confesso que eu não me arrependi em absolutamente nada, inclusive percebi que é constantemente indicado para os festivais mais importantes, encontrei um catálogo recheado de bons projetos com uma essência muito individual e ao mesmo tempo muito diferente uma da outra. E é nesse ponto que irei focar como discussão nesse post, não necessariamente no filme mas sim nos realizadores e de como uma certa construção de marca pode ser pode positiva ao procurar filmes e séries de modo geral.


A Relação da Academia com as Animações


    No Oscar de 2021 ocorreu uma situação que comumente não vemos nas premiações. Além de vencer na categoria de melhor longa animado, Soul levou também pelo brilhante trabalho a estatueta de Melhor Trilha Sonora Original. Eu considero esse um fato muito importante e surpreendente, pois eu não esperava que a academia fosse premiar uma animação fora da sua categoria, mesmo que Soul já tivesse acumulado alguns prêmios em outros festivais relevantes para os votantes, algo do gênero só havia acontecido com A Bela e a Fera em 1991 sendo indicado para 4 categorias, entre elas Trilha Sonora Original (venceu), Canção Original (venceu), Som e Filme. Relevante lembrar que a categoria de melhor animação ainda não havia sido criada, o que me faz pensar: se tivesse a categoria exclusiva para as animações naquele ano, A Bela e a Fera teria sido indicado como melhor filme? uma dúvida pertinente mas que a resposta seria provavelmente não.

Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross ganhadores do Oscar de trilha sonora por "Soul" — Foto: AP Photo/Chris Pizzello


Porém, apesar de tudo existem alguns pontos relevantes que fazem o Oscar deixar as animações fora de algumas categorias. Uma delas e um pouco óbvia mas sempre bom de lembrar: obras animadas não passam pelos mesmos processos de produção. Em categorias como Melhor Ator, por exemplo, os atores/dubladores que dão vida aos personagens animados teriam uma certa desvantagem pelo fato de só trabalharem basicamente com a voz, ou pelo menos é o que chega na versão final do longa.

Outra condição e sem dúvida a mais importante. A academia praticamente restringe os filmes animados a “desenho para criança”, por mais brilhante e complexo que o filme possa ser. Mas, aos olhos de grande parte dos votantes, não passa de diversão para um público específico. Sendo assim, vários filmes não são apreciados ou levados a sério pela academia, então a maneira mais fácil que muitos veem de não ter trabalho é votar nos filmes dos estúdios já consolidados, como aconteceu e frequentemente acontece com a Disney Pixar, quem além de Soul conta com outros 10 vencedores, isso resulta em 11 de 20 edições desde a criação da categoria, isso sem levar em conta que ele esteve ausente em algumas.

Sem o objetivo de questionar a qualidade de produção da Pixar, fica muito claro que algo deve ser revisto. Fica até fácil lacrar no início da temporada antes mesmo do filme sair que o vencedor será do estúdio. Por mais que outros estúdios dividam esse reinado, a exemplo da DreamWorks, fica a pergunta: Como é possível que de todas animações produzidas em um ano só poucas sejam eleitas a melhor?


O Outro Lado da Moeda: O Reconhecimento


Em qualquer que seja a competição, estar no pódio é um indício de que foi feito um bom trabalho, na maior parte das vezes. Ainda que não levem o prêmio mais importante, a recompensa vem em forma de reconhecimento (talvez o mais digno). No caso do Oscar, são quatro outros filmes que podem ganhar mais abrangência e atrair mais público (O Menino e o Mundo, longa animado brasileiro já foi indicado em 2016), ganhando contratos com outras distribuidoras e atraindo fãs como eu. Quem nunca viu a propaganda de um filme destacando que ele foi indicado ao careca dourado, não é mesmo?.

O outro lado da história, a dos “perdedores” por assim dizer, possui muitas ressalvas positivas que podem ser lembradas. Por mais que a Academia “esnobe” muitos filmes, é um fato que ela promove credibilidade e visibilidade a essas obras. Alguns estúdios apesar de não terem vencido ou terem apenas uma única vez, já são figuras marcadas no evento, a exemplo do Studio Laika, mais reconhecido pela técnica de stop motion; Studio Ghibli das animações japonesas (A Viagem de Chihiro carrega a marca de ser o único filme em 2D e não americano a levar para casa a estatueta) e o próprio Cartoon Saloon com o seu mágico folclore irlandês como já citado anteriormente. E existem muitos outros além desses. Ponto é que os festivais, principalmente o Oscar, ajudam a criar uma marca para estes estúdios, uma oportunidade a mais de compartilhar e expressar sua essência através de seus filmes.


Um Abraço a Diversidade


Por mais que eu goste de animações, ainda não havia escutado falar sobre a Cartoon Saloon, eu não fazia muito uso da prática de procurar muitos filmes através de estúdios em 2015 (último filme da Saloon antes de Wolfwalkers). Mas esse ano com o lançamento do filme na plataforma da Apple TV e sendo indicado a vários festivais, resolvi averiguar todos os outros trabalhos, principalmente ao descobrir que os filmes retratam o folclore irlandês. Fiquei com boas expectativas e que foram supridas, ainda que cada filme possui sua própria história e personalidade, constroem uma essência maior na maneira de contar, com uma diversidade ímpar, do lindo traço leve (semelhante a arte hiberno-saxónica) até a trilha sonora, algo realmente diferente. Em um mundo onde a surpresa é tão bem vinda, abraçar a diversidade quase nunca falha, um verdadeiro convite a história da Irlanda.

Infelizmente, quando a Academia decide continuar premiando e indicando quase sempre os mesmos estúdios, a diversidade perde com isso. Abrir espaço para coisas novas é um favor à sociedade como um todo, além de incentivar mais produções.

Procurei focar mais no campo das animações, porém isso pode ser aplicado a qualquer tipo de categoria, e não somente ao Oscar, mas também a subjetivo de cada pessoa. O valor de uma nova perspectiva só se restringe ao ganho.

E você! costuma procurar muito por estúdios e diretores (autores) ao clicar na aba de pesquisa? Comente aqui embaixo o que achou. Espero gerar boas discussões.     

 

 

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